quarta-feira, 3 de junho de 2015

Discalculia





O que é discalculia?


Conforme Araujo (2006, [s.p]) “A palavra discalculia vem do grego (dis, mal) e do latin (calculare, contar) formando: contando mal. Essa palavra por calculare vem, por sua vez, de cálculo, que significa o seixo ou um dos contadores em um ábaco”.
A discalculia é um distúrbio que dificulta a aprendizagem, pois impede que o indivíduo compreenda os processos matemáticos, mesmo que ela tenha um QI normal ou acima do normal.
De acordo com Belleboni (apud: GARCIA, 1998), a discalculia é uma dificuldade de aprendizagem evolutiva, que não causa lesão e que não é causada por nenhuma deficiência mental, défictis auditivos e nem pela má escolarização.
As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho. E isso algumas vezes é entendido pelos pais e professores como preguiça.
A criança não se interessa pela atividade pelo simples fato de não compreendê-la. “A discalculia apresenta-se como uma imaturidade das funções neurológicas ou uma disfunção sem lesão.” (BOMBONATTO, 2006, [s.p])


Os sinais da discalculia.


Os sinais da discalculia podem começar quando a criança inicia sua vida escolar na pré-escola.Outras criança começam a apresentar dificuldades um pouco mais tarde.Mas como podemos reconhecer discalculia no dia-a-dia da criança ou do adulto? Para determinar se uma criança ou adulto tem discalculia é necessária uma avaliação rigorosa de um psicologo ou médico. Depois de diagnosticada a dificuldade, a ajuda de um psicopedagogo é muito importante.A lista de dificuldades exposta abaixo, não deve ser considerada como completa, mas mostra os exemplos mais comuns de dificuldades especificas da matemática que caracterizam a discalculia. Porém, se uma pessoa manifesta a maioria dos problemas relacionados na listagem, isso indica que a pessoa apresenta dificuldades gerais em matemática , e não, discalculia.

Discalcúlicos Famosos

Quem disse que o discalcúlico não é uma pessoa capaz? Aqui temos alguns exemplos de pessoas com discaculia e que trouxeram para o mundo contribuições fantásticas.
- Benjamin Franklin: Inventor do pára-raios, aquecedor de Franklin e das lentes bifocais. Ele também deixou a escola aos 12 anos de idade, pois "falhava" em matemática. Ele é o "homem na nota de 100 dólares"
- Thomas Edison: Entre suas contribuições estão: lâmpada elétrica incandescente, o gramofone, o ditafone, o microfone entre outros. Ele saiu da escola aos 12 anos de idade, pois se achava "estupido".
- Hans Christian Andersen: Escritor dinamarquês de clássicos da literatura infantil, tais como, O Patinho Feio, Os Sapatinhos Vermelhos, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, dentre outros. Graduado na High School aos 23 anos de idade.
- Albert Eisntein: Propôs a Teoria da Relatividade e foi ganhador do Prêmio Nobel da Física de 1921.
- Cher: Atriz, cantora e produtora americana.
- Mary Tyler Moore: Atriz e comediante americana.

Os subtipos de discalculia

Segundo Garcia (1998, p. 213) a discalculia é classificada em seis subtipos, podendo ocorrer em combinações diferentes e com outros transtornos de aprendizagem:

Discalculia Verbal - dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
Discalculia Practognóstica - dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens matematicamente.
Discalculia Léxica - Dificuldades na leitura de simbolos matemáticos.
Discalculia Gráfica - Dificuldades na escrita de símbolos matemáticos.
Discalculia Ideognóstica – Dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
Discalculia Operacional - Dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.
Texto extraído do Manual de Dificuldades de Aprendizagem - Jesus Nicasio Garcia - Ed. Artmed


Efeitos das Dificuldades de Aprendizagem da Matemática

Os efeitos das dificuldades de aprendizagem da matemática geralmente são diversos e vão além da área acadêmica especifica, afetando áreas como a atenção, a impulsividade, a perseverança, a linguagem, a leitura e a escrita.

Área de dificuldade: Atenção seletiva
Amostra de condutas
Parece não conseguí-lo.
Distraí-se com estímulos irrelevantes.
Conexões e desconexões.
Fadiga-se facilmente quando tenta concentrar-se.

Área de dificuldade: Impulsividade
Amostra de Condutas
Buscas curtas.
Trabalha rápido demais e por isso, comete erros por descuidos.
Não usa estratégias de planejamento.
Frusta-se facilmente.
Ainda que se conceitualize bem, é impaciente com detalhes.
Cálculos imprecisos.
Desatenção ou omissão de símbolos.

Área de dificuldade: Perseveração
Amostra de condutas
Tem dificuldade em mudar de uma operação ou um passo para outro.

Área de dificuldade: Inconsistência
Amostra de condutas
Resolve os problemas em um dia, mas no outro não.
É capaz de grande esforço, quando motivado.
Área de dificuldade: Automatização
Amostra de conduta
Não examina o trabalho.
Não pode indicar as áreas de dificuldade.
Não revisa previamente as provas.

Área de dificuldade: Linguagem/Leitura
Amostra de conduta
Tem dificuldades na aquisição do vocabulário matemático. Confunde dividido por/dividido entre; centena/centésimos; MMC/MDC; 4 menos X/ 4 menos X; antes/depois; mais/menos.
A linguagem oral ou escrita se processa lentamente.
Não pode nomear ou descrever tópicos.
Tem dificuldade em decodificar símbolos matemáticos.

Área de dificuldade: Organização espacial
Amostra de conduta
Tem dificuldade na organização do trabalho ba página.
Não sabe sobre qual parte do problema centrar-se.
Tem dificuldades representando pontos.
Perde as coisas.
Tem dificuldades para organizar o caderno de anotações.
Tem pouco sentido de orientação.

Área de diculdade: Habilidades grafomotoras
Área de condutas
Formas pobres do números, das letras e dos ângulos.
Alinhamento dos números inapropriados.
Copia incorretamente.
Necessita de mais tempo para complentar um trabalho.
Não pode escutar enquanto escreve.
Trabalha mais corretamente no quadro-negro do que no papel.
Escreve letra de forma em vez de letra cursiva.
Produz trabalhos sujos, com rasura, em vez de apagar.
Tem ineficaz domínio do lápis.
Escreve com os olhos muito próximos ao papel.

Área de dificuldade: Memória
Amostra de condutas
Não memoriza a tabuada de multiplicar.
Apresenta ansiedade frente a testes.
Ausência do uso de estratégias para o armazenamento de informações.
Pode recordar apenas um ou dois passos de cada vez.
Parte números ou letras.
Inverte seqüência de números ou letras.
Tem dificuldade para recordar seqüências de algorítmos, estações e meses, etc.

Área de difilculdade: Orientação no tempo
Amostra de condutas
Tem dificuldades em trabalhar com as hora.
Esquece ordem das aulas.
Chega muito cedo ou muito tarde à aula.
Tem dificuldades em ler o relógio analógico.
Área de dificuldade: Auto-estima
Amostra de condutas
Acredita que nem o maior esforço irá levá-lo ao êxito.
Nega a dificuldade.
É muito sensível a críticas.
Opõe-se ou rechaça ajuda.

Área de dificuldade:Habilidades sociais
Amostra de condutas
Não capta os códigos sociais.
É amplamente dependente.
Não adapta a conversação de acordo com a situação ou com audiência.

Texto extraido do livro: Manual de Dificuldades de Aprendizagem - Jesus Nicasio Garcia - Ed. Artmed. pg: 224 e 225.

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Dificuldades com leitura e compreensão

-Confusão com o aspecto parecido dos números, 6 e 9 ou 3 e 8.
-Falta de habilidade para compreender os espaços entre os números como por exemplo: 5 69 é lido como quinhentos e sesseta e nove.
-Dificuldades no reconhecimento, e portanto, no uso dos símbolos para calcular: mais, menos, multiplicação e divisão.
-Dificuldades na leitura de numeros com mais de um dígito. Números com zero podem especialmente dificultar. Exemplo: 4002 ou 304.
-Confusão na leitura da direção dos números: o 12 pode se tornar 21. Não é usual para algumas crianças mudarem a direção de alguns números que são lidos precisamente, da esquerda para direita, enquanto outras lêem de trás para frente.
-Problemas com leitura de mapas, diagramas e tabuada.
-Dificuldades com a escrita números e símbolos, com freqüência os números são revertidos.
-Problemas com cópias de números, cálculos e ilustração de figuras geométricas.
-Problemas em lembrar números, cálculos e memorizar a forma das figuras geométricas.
-Dificuldades de lembrar como os números e as operações são escritas. Nesse caso, pode ser mais fácil para o aluno escrever os números com letras.
-Dificuldades de lembrar como os símbolos matemáticas são escritos.
-Dificuldades na escritas de números com mais de um dígito. O zero pode não aparecer na hora da escrita, por exemplo: mil cento e sete pode ser escrito 107; dezessete pode ser escrito como 71 ou ainda, quatro mil quinhentos e trinta e cinco ser escrito em quatro diferente números(o número pode ser dividdo em partes): 4000, 5000, 30, 5.
-Dificuldades em entender conceitos e símbolos
-Dificuldades em entender os símbolos matemáticos e dificuldade em lembrar como deve ser usado, por exemplo, o sinal de menos.
-Problemas com o entendimento de conceitos de peso, espaço, direção e tempo.
-Problemas para entender perguntas orais ou escritas que são apresentadas com palavras, texto ou figuras.
-Problemas para entender conceito de soma, onde números são usados em conjunto com unidades como, por exemplo, 100 metros. Os problemas também podem ser no entendimento dos números ordinais, pois não entendem a seqüência, primeiro, segundo terceiro, etc.
-Problemas em entender as relações entre as unidades.
-Problemas na aplicação prática da matemática, por exemplo: A distância da casa de Ana até a escola é de 1 km. Maria mora duas vezes mais longe. Qual a distancia que Maria tem que percorrer para chegar à escola?
-Problemas com a seqüência dos números e fatos matemáticos
-Dificuldades em entender a posição dos números, maior ou menor. Exemplo: 16 vem antes ou depois de 17.
-Problemas com a seqüência dos números, a criança não entende automaticamente que 74 é 5 unidades a mais que 69, ou é incapaz de saber o lugar dos números 8 ou 27 na série numérica. Essas crianças tem que contar nos dedos para fazer um cálculo básico. Não conseguem memorizar a tabuada de multiplicação.
-Dificuldades em fazer cálculos mentais, devido a problemas de memória que faz com que o aluno perca números importantes usados na no cálculo.Problemas com contagem de trás para frente.Levam muito tempo para resolver tarefas simples.
-Problemas com pensamentos complexos.
-Dificuldades de escrever um pensamento, mostrando falta de habilidade para demostrar a estratégia na resolução de problemas ou como as estratégias podem se mudadas.
-Problemas em compreender os diferentes de passos em uma tarefa matemática.
-Dificuldades em abstrair dados em uma tarefa matemática e como proceder para resolvê-la.

Outras dificuldades
-Dificuldades com conceitos semelhantes de passado e futuro.
-Dificuldades em avaliar tarefas ou atividades que devem ser cumpridas.
-Fraca orientação espacial ou habilidades de resolver problemas espacias, mostrando ter limitado senso de direção ou tendo dificuldades de se ajustar a novos ambientes. Exemplo: Um novo trajeto para se chegar a escola.
-Variações de atenção e dificuldades de concentração.
-Memória limitada para nomes e rostos.Dificuldades em administrar dinheiro.
-Dificuldades em ler as horas.
-Dificuldades em processar informações apresentadas rapidamente e também distinguir o que é importante.
-Dificuldades com jogos que envolvam estratégia. Exemplo: xadrez.

O caso de Lisa.
Lisa não tem dificuldades com a matemática básica. Ela é muito boa em multiplicação e divisão. Apesar disso, contudo, ela tem dificuldades com a resolução de problemas matemáticos escritos. Ela frequentemente os erra. Em um exame geral de habilidade na leitura e compreensão ela mostrou que tem uma performance regular em ambos, lendo e escrevendo. Uma análise mais profunda em seu problema mostra claramente que ela tem dificuldades com a identificação de fatos básico no texto. Ela simplesmente não vê claramente que os números são relevantes para a tarefa matemática. Ela não sabe qual é o tipo de operação deve ser feita. Se é adição ou subtração.
O que aparenta é que a principal dificuldade de Lisa é com o planejamento, e que ela precisa de ajuda para encontrar boas estratégias para guiar as tarefas matemáticas. Eal precisa praticar um plano para resolver as tarefas matemáticas passo-a-passo em uma sequência contínua.
Um professor ou uma pessoa que não tiver conhecimento da discalculia, com certeza achará que essas dificuldades com a escrita das tarefas matemáticas podem que ser sanadas com exercícios para melhorar a leitura. Contudo, uma análise mais profunda, mostra que a dificuldade dela não está totalmente relacionada com problemas primários de leitura e isso demanda uma abordagem diferente na forma em como esses exercícios serão dados.
Texto traduzido do livro: What is dyscalculia? Dr B. Adler, 2001, pg 14 - 17.



Fatores que contribuem para as Dificuldades de Aprendizagem da Matemática

A suposição é que as causas das dificuldades de aprendizagem tenham bases biológicas, mas é o ambiente que fará com que essas dificuldades aumentem ou diminuam. Os fatores biológicos que contribuem para a ocorrência de uma dificuldade de aprendizagem podem ser divididos em quatro categorias:

Lesão Cerebral – nem sempre uma lesão cerebral é a base para que a criança tenha uma dificuldade de aprendizagem, mas algumas dificuldades podem surgir de uma lesão cerebral;
Alterações Desenvolvimentais – durante a gestação o sistema nervoso do novo indivíduo vai se desenvolvendo em etapas e esse desenvolvimento continua após o seu nascimento. Esse desenvolvimento é o que faz capaz de realizar tarefas que conforme o individuo vai crescendo se tornam mais complexas. Quando alguma etapa desse desenvolvimento é alterada, isso pode gerar uma dificuldade de aprendizagem.
Desequilíbrio Químicos– os neurotransmissores fazem a comunicação entre as células cerebrais. Qualquer alteração química pode fazer com que essa comunicação falhe. Esses desequilíbrios podem contribuir para alguns transtornos de aprendizagem, principalmente os que envolvem atenção, como o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e hipoatividade.
Hereditariedade – a hereditariedade também determina o desenvolvimento de dificuldade de aprendizagem. Segundo Smith e Strick (2001, p. 15), as dificuldades de aprendizagem levam as crianças a ter um comportamento que complicam mais essas dificuldades na escola, sendo eles: hiperatividade, fraco alcance de atenção, dificuldade para seguir instruções, imaturidade social, dificuldade com a conversação, inflexibilidade, fraco planejamento e habilidades organizacionais, distração, falta de destreza, falta de controle de impulsos. Esse comportamento se dá nas mesmas condições neurológicas das dificuldades de aprendizagem.

A importância em diagnosticar a discalculia

Há uma urgência grande para se descobrir cada vez mais cedo a discalculia nas crianças. Um diagnóstico completo não pode ser feito antes dos 10-12 anos de idade, mas por causa disso não devemos deixar de tentar descobrir as formas particulares de dificuldades que matemáticas a criança sofre.

Há um debate em andamento a respeito dos diagnósticos de dislexia, de discalculia, ou do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade se eles têm algum valor real. Esta preocupação tem fundamento, porque pode ser prejudicial diagnosticar todos as de dificuldades matemáticas como discalculia, e do mesmo modo todas as dificuldades com concentração como transtorno de déficit de atenção/hiperatividade . Entretanto, a dúvida não deve conduzir à recusa para fazer um diagnóstico específico. Nós corremos então no risco óbvio de não fornecer a ajuda relevante às crianças que estão certamente dentro necessidade dela.
Existem crianças e adolescentes que têm dificuldades matemáticas, ou dificuldades com leitura, e gradualmente adquirem uma imagem muito negativa de si mesmos. Sua autoestima e confiança são quebrados. Alguns expressam até pensamentos suicidas. Estas crianças devem ser a razão de se justificar a necessidade para diagnósticos exatos e específicos. Um diagnóstico exato afeta diversos indivíduos e grupos positivamente:

a criança;
os pais;
os professores;
os psicólogos e médicos;
a sociedade.
É extremamente raro encontrarmos com uma criança no inicio de sua vida escolar que peça para ser examinada por estar com dificuldades de matemática. Entretanto, os mais velhos o fazem, porque continuam a "falhar" na matemática, e querem saber o porque:"Qual é a razão real para minhas dificuldades em matemáticas? Como posso ser bom em muitos outros assuntos e não na matemática?” Essa situação torna-se frustrante e incompreensível. Um diagnóstico permite que a maioria de crianças mais velhas compreendam a razão para suas dificuldades. Isto ajuda também aos pais a procurar uma especializada que possa fornecer recursos corretivos apropriados. [O governo deveria oferecer isso].

Para professores e psicólogos escolares o diagnóstico é valioso porque os permite planejar o trabalho corretivo exato, melhorando sucesso das lições. O diagnóstico indica formalmente os tipos de recursos que devem ser utilizados para a dificuldade.

Às vezes os professores expressam preocupações sobre um diagnóstico. Ficam receosos que a criança irá relaxar no seu aprendizadoe parar de tentar trabalhar ativamente com a matemática, pensando: “Bem, eu tenho o discalculia! Então eu não posso fazer os exercícios de matemática de qualquer maneira!” As dúvidas dispersam-se geralmente uma vez que o professor começa um diálogo com a criança e seus pais. Com um bom diálogo as dificuldades da criança são feitas óbvias, mostrando as maneiras possíveis trabalhar com matemática, garantindo assim, que a criança receba o tratamento apropriado. Ao mesmo tempo é eliminado o risco de que ela desenvolva sintomas psiquiátricos como o depressão e pensamentos suicidas.

Um diagnóstico é de grande importância às escolas e a sociedade em geral. Os responsáveis pelas decisões e os líderes de comunidade necessitam saber que o grupo de pessoas com discalculia é grande. Este conhecimento é atualmente muito deficiente. O que os responsáveis pelas decisões ou um líder sabem é que muito muitos estudantes estão falhando na matemática, uma proporção muito maior do que aqueles que têm dificuldades com línguas. Isto nos chama para a examinar a situação. Se formos relutantes fazer um diagnóstico então estaremos impedindo que as crianças tenham o direito de ser ajudadas.

Foi mencionado acima que um diagnóstico final (completo) não pode ser feito antes que a criança esteja aproximadamente 10-12 anos de idade. Entretanto, isto não deve nos fazer parar com o trabalho corretivo apropriado antes dessa idade. Sobretudo temos que aprender a nos comunicarmos abertamente com a criança sobre suas dificuldades e experiências. Os problemas que relatam não podem ser os mesmos que suas próprias percepções de seus problemas. Embora nós não possamos estar certos sobre a natureza exata de suas dificuldades, é necessário começar imediatamente o trabalho corretivo. Se nós esperarmos até que a criança esteja velha o bastante para um diagnóstico apropriado, nós podemos ter desperdiçado o tempo precioso e ter causado à criança muitos anos desnecessários do esforço e da falha. A ajuda é necessária.

Texto traduzido e adaptado do livro: What is dyscalculia? Dr B. Adler, 2001, pg 23 - 25.






O diagnóstico da discalculia: CID-10 e DSM-IV


Discalculia não é uma doença. Nem é necessariamente uma condição crônica. Nosso corpo e mente dão forma a um equilíbrio dinâmico que esta constantemente em mudança se adaptando às novas situações. As habilidades cognitivas de um estudante podem progredir além de seu diagnóstico original. Os estudantes podem ter uma vida normal fora das dificuldades matemáticas específicas, embora os problemas frequentemente tendam a remanescer com eles na vida adulta. É importante compreender que as avaliações são somente válidas por um tempo relativamente curto, um ano para crianças e adolescente e menos de dois anos para adultos.

Fazer um diagnóstico é um conceito médico. Durante muitos anos, a ciência médica construiu um modelo biológico para compreensão progressiva dos diferentes transtornos. Este modelo permite desenvolver sistemas de classificação worldwide estandardizados para doenças. Hoje há dois sistemas predominantes.
O CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) é uma classificação estatística internacional das doenças, dos ferimentos e das causas da morte que é publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Seu alvo é criar uma fundação padrão e estável universal para o desenvolvimento da ciência médica.

Devido as críticas recebidas pelo sistema CID, a Associação Americana dos Psiquiatras, (APA), desenvolveu o alternativo DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais). Um dos objetivos principais do DSM é fornecer uma descrição exata de todos os sintomas médicos de modo que seja consultado por doutores ou profissionais de saúde para que possam fazer um diagnóstico correto.

Observação: Antes que um diagnóstico positivo da discalculia seja feito, causas tais como o ensino inadequado ou incorreto, os problemas com visão, audição ou os danos ou doenças neurológicas e doenças psiquiátricas devem ser eliminadas.

CID-10 : F81.2 TRANSTORNO ESPECÍFICO DA HABILIDADE EM ARITMÉTICA

Transtorno que implica uma alteração específica da habilidade em aritmética, não atribuível exclusivamente a um retardo mental global ou à escolarização inadequada.
O déficit concerne ao domínio de habilidades computacionais básicas de adição, subtração, multiplicação e divisão mais do que as habilidades matemáticas abstratas envolvidas na álgebra, trigonometria, geometria ou cálculo.
Inclui:

Acalculia de desenvolvimento .
Discalculia.
Síndrome de Gerstmann de desenvolvimento .
Transtorno de desenvolvimento do tipo acalculia
Exclui:
acalculia SOE.
dificuldades aritméticas:
associadas a um transtorno da leitura ou da soletração .
devidas a ensino inadequado



DSM -IV : F81.2 - 315.1 TRANSTORNO DA MATEMÁTICA

Características Diagnósticas

A característica essencial do Transtorno da Matemática consiste em uma capacidade para a realização de operações aritméticas (medida por testes padronizados, individualmente administrados, de cálculo e raciocínio matemático) acentuadamente abaixo da esperada para a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade do indivíduo (Critério A).

A perturbação na matemática interfere significativamente no rendimento escolar ou em atividades da vida diária que exigem habilidades matemáticas (Critério B). Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente a este associadas (Critério C).

Caso esteja presente uma condição neurológica, outra condição médica geral ou déficit sensorial, isto deve ser codificado no Eixo III. Diferentes habilidades podem estar prejudicadas no Transtorno da Matemática, incluindo habilidades "lingüísticas" (por ex., compreender ou nomear termos, operações ou conceitos matemáticos e transpor problemas escritos em símbolos matemáticos), habilidades "perceptuais" (por ex,. reconhecer ou ler símbolos numéricos ou aritméticos e agrupar objetos em conjuntos), habilidades de "atenção" (por ex., copiar corretamente números ou cifras, lembrar de somar os números "levados" e observar sinais de operações) e habilidades "matemáticas" (por ex., seguir seqüências de etapas matemáticas, contar objetos e aprender tabuadas de multiplicação).

Características e Transtornos Associados

Consultar a seção "Características e Transtornos Associados" referente aos Transtornos da Aprendizagem. O Transtorno da Matemática em geral é encontrado em combinação com o Transtorno da Leitura ou o Transtorno da Expressão Escrita.

Prevalência

A prevalência do Transtorno da Matemática é difícil de estabelecer, uma vez que muitos estudos se concentram na prevalência dos Transtornos da Aprendizagem, sem o cuidado de separar transtornos específicos da Leitura, Matemática ou Expressão Escrita.

A prevalência do Transtorno da Matemática isoladamente (isto é, quando não encontrado em associação com outros Transtornos da Aprendizagem) é estimada como sendo de aproximadamente um em cada cinco casos de Transtorno da Aprendizagem. Estima-se que 1% das crianças em idade escolar têm Transtorno da Matemática.

Curso

Embora os sintomas de dificuldade na matemática (por ex., confusão para conceitos numéricos ou incapacidade de contar corretamente) possam aparecer já na pré-escola ou primeira série, o Transtorno da Matemática raramente é diagnosticado antes do final da primeira série, uma vez que ainda não ocorreu suficiente instrução formal em matemática até este ponto na maioria dos contextos escolares.

O transtorno em geral torna-se visível durante a segunda ou terceira série. Particularmente quando o Transtorno da Matemática está associado com alto QI, a criança pode ser capaz de funcionar no mesmo nível ou quase no mesmo nível que seus colegas da mesma série, podendo o Transtorno da Matemática não ser percebido até a quinta série ou depois desta.

Diagnóstico Diferencial

Consultar a seção "Diagnóstico Diferencial" relativa aos Transtornos da Aprendizagem.

Critérios CID-10/DSM-IV

Critérios Diagnósticos para F81.2 - 315.1 Transtorno da Matemática
A. A capacidade matemática, medida por testes padronizados, individualmente administrados, está acentuadamente abaixo do nível esperado, considerando a idade cronológica, a inteligência medida e a escolaridade apropriada à idade do indivíduo.
B. A perturbação no Critério A interfere significativamente no rendimento escolar ou atividades da vida diária que exigem habilidades em matemática.
C. Em presença de um déficit sensorial, as dificuldades na capacidade matemática excedem aquelas geralmente a este associadas.
Nota para a codificação: Caso esteja presente uma condição médica geral (por ex., neurológica) ou déficit sensorial, codificar no Eixo III.

Traduzido e adaptado do livro What is dyscalculia? Dr B. Adler, 2001, pg. 64 e 65.



A discalculia pode ser curada?

Os pais, assim como os professores têm importantes questões sobre discalculia. As perguntas mais freqüentes são:

Que tipo de dificuldades a dislcalculia se refere?
Será que fiz algo de errado?
Que tipo de ajuda é necessária?
A discalculia pode ser curada?
É importante que estas questões sejam respondidas na fase inicial, para se evitar ansiedade desnecessária.
Obviamente, os pais querem saber qual o tipo de dificuldades a criança tem. Eles muitas vezes perguntam ao profissional se ele conhece determinado tipo de dificuldade: Você já conheceu outras crianças com problemas semelhantes? Se o profissional ainda não tratou crianças com determinado tipo de dificuldades, os pais devem ser informados. O importante que se conheça a dificuldade de aprendizagem e formas de tratamentos estudados.
Muitos pais se sentem culpados. Acham ter feito alguma coisa errada, ou talvez por não ter feito o suficiente. Isso não deve ser encarado dessa forma. A criança precisa dos pais para se sentir segura e conseguir e seguir o tratamento com sucesso.
A discalculia pode ser curada? A resposta simples é sim! O diagnóstico discalculia é sempre apenas uma descrição do atual estágio de desenvolvimento, aplicável por um período máximo de um ano. Como a criança desenvolve, as dificuldades que existiam no ano anterior podem ter minimizado ou quase desaparecem.
Se a criança está recebendo tratamento adequado, a possibilidade de desenvolvimento da capacidade matemática é grande. No entanto, muitas vezes algumas partes das dificuldades permanecem de uma forma suave, por exemplo, as dificuldades em recordar fatos numéricos. É habitual que os estudantes irão continuar a ter características destas dificuldades, de uma forma suave, em toda a vida adulta. Capacidade de concentração, no entanto, geralmente melhora consideravelmente, e que muitas vezes vem com a compreensão de conceitos matemáticos e símbolos.

Traduzido e adaptado do livro What is dyscalculia? Dr B. Adler, 2001, pg. 27



Desenvolvimento das Habilidades da Matemática

Essas são as habilidades que deverão ser desenvolvidas quando as criança estiver na série citada.
O que devemos saber é que o desenvolvimento de habilidades acontece de forma diferente em cada indivíduo. Algumas crianças conseguem seguir de forma correta esse padrão e outras não.
É quando acontece um atraso muito grande no desenvolvimento dessas habilidade que devemos ficar alerta e procurar um médico para que seja avaliada e diagnóstica uma possível Dificuldade de Aprendizagem da Matemática.


Pré-Escola
Combina/seleciona/nomeia objetos por cor, tamanho e forma; conta/soma até nove objetos; avalia objetos por quantidade, dimensões, tamanho (p. ex., mais/menos, mais longo/menor, mais alto/mais baixo, maior/menor/igual; recita e reconhece numeros de 1-20; escreve números de 1-10; compreende conceitos de adição e subtração; conhece símbolos +, -, =: reconhece o todo X metade; compreende os ordinais (primeiro, quinto); aprende conceitos incipentes de peso, tempo (p. ex., antes/depois; compreende que o almoço é às 12 horas; diz a hora no relógio), dinheiro (sabe o valor de algumas moedas) e temperatura (mais quente/mais frio); tem consciência de localização (p. ex., acima/abaixo, esquerda/direita, mais próximo/mais distante); interpreta mapas simples e gráficos.

Primeira Série
Conta/lê/escreve/ordena número até 99; começa a aprender fatos da adição e subtração; realiza problemas simples de adição/subtração (p. ex., 23 + 11); compreende multiplicação como sendo a adição repetida; conta de 2 em 2, de 5 em 5 e de 10 em 10; identifica números pares e ímpares; estima respostas; compreende 1/2, 1/3, 1/4; obtém conhecimento elementar do calendário (p. ex., conta quantos dias dias até seu aniversário), tempo (diz a hora em termos de meia hora; compreende horários, lê relógio digital), medidas (uma xícara, uma colher de chá, um litro, cm, kg) e dinheiro (sabe o valor de agumas moedas; compara preços); soluciona problemas verbais simples com números; lê gráficos e mapas.

Segunda Série
Identifica/escreve números até 999; soma/subtrai números com dois e três dígitos com e sem reagrupamento (p. ex., 223 + 88, 124 - 16); multiplica por 2, 3, 4, 5; conta de 3 em 3, de 5 em 5, de 10 em 10 e de 100 eme 100; lê/escreve numerais roamnos até XII; conta dinheiro e faz troco até 10 reais; reconhece dias da semana, meses, estações do ano no calendário; diz a hora em termos de 5 minutos em um relógio com ponteiros; aprende medidas básicas (centímetros, metros, gramas, quilograma); reconhece equivalentes (p.ex., dois quartos = metade, quatro quartos = um inteiro); divide área em 2/3, 3/4, décimos; faz graficos com dados simples.


Terceira Série
Compreende milhares; soma e subtrai números de quatro dígitos (p.ex., 1 017 - 978); aprende fatos da multiplicação até 9 x 9; soluciona problemas simples de multiplicação e divisão (642 x ou dividido por 2); relaciona divisão com subtrações repetidas; aprende numerais romanos mais difíceis; introdução a frações (soma/estima/organiza frações simples; compreende números mistos); e geometria (identica hexágono, pentágono); compreende diâmetro, raio, volume, área; compreende decimais, começa aprender números negativos, probabilidade, porcentamegem, razão; soluciona problemas verbais mais difíceis de matemática.

Quarta Série
Soma colunas de três ou mais números; multiplica números de três dígitos por números de dois dígitos (348 x 34); realiza divisão simples (44/22); reduz frações a seus menores termos; soma/subtraius frações com diferentes denominadores (3/4 + 2/3); soma/subtrais decimais, converte decimais em porcentagens; conta/faz troco para 20 reais; estima a hora; pode medir o tempo em horas, minutos e segundos; realiza cáculos de áreas de retângulos; identifica linhas paralelas, perpendiculares e com intersecção; calcula peso em toneladas, extensão em metros e volume em centímetros cúbicos.

Quinta Série
Multiplica números com três dígitos (962 x 334); pode realizar problemas mais difíceis de divisão (102 dividido por 32); soma, subtrai, multiplica números mistos; divide um número inteiro por uma fração; representa frações como decimais, proporções, percentuais; soma, subtrai, multiplica com os demais, divide um decimal por um número inteiro; compreende uso de equações, fórmulas, "trabalhar de trás para frente"; estima produtos e quocientes; começa aprender sobre expoentes, maior denominador comum, bases, fatores primos, números compostos, números inteiros; compreende porcentagens, razões; compreende média, mediana, modo; mede área/circunferência de um círculo, perímetro/áreas de triângulos e paralelogramos; realiza conversões métricas; usa compasso, transferidor; lê desenhos em escala.

Ensino Médio
Domina ordem de operações em problemas complexos; multiplica/divide frações; soma, subtrai, multiplica, divide decimais em termos milionésimos; converte decimais para fração, percentuais, proporções; compreende números reais, racionais, irracionais e diferentes bases numéricas, calcula raízes quadrada e cúbica; estima porcentagens/proporções; calcula descontos, impostos em liquidações, gorjetas em restaurantes; compreende margem de lucros, comissão, juros simples, juros compostos, percentual de aumento/desconto; compreende ângulos (complementares. suplementares, adjacentes, receptores, congruentes...); calcula volume de cilindro; calcular arco do círculo; compreende figuras equilaterais, isósceles, escalenas, obtusas; organiza conjuntos de dados; coordenadas em gráficos, transformações, reflexos, rotações, equações com duas variáveis; soluciona equações pela substtuiição; começa a aprender sobre probabilidade condicional, permutações, análise fatorial, freqüência relativa, curva normal; teorema de Pitágoras; aprofunda conhecimento sobre habilidades e conceitos aprendidos anteriormente.

Texto extraído e adaptado do livro: Dificuldades de Apendizagem de A a Z - Corinne Smith e Lisa Strick, 2001 - Ed Artmed. pg. 316 e 317





segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Transtornos da Personalidade e seus efeitos

Personalidade é o padrão de pensar, sentir, perceber e, finalmente, se comportar de uma certa maneira que pode ser única para cada indivíduo. No entanto, há certas classificações de tipos de personalidade e os traços em que os seres humanos podem ser classificados de acordo com seus padrões de comportamento.
Uma pessoa é conhecida e lembrada através é a personalidade mais do que o nome dele. Quando damos nomes a pessoas como ela é tão charmoso ou ele é tão irritante ou ele é tão impertinente são todos baseados em o que vemos através dos comportamentos ostensivos que realmente espelham nossos individuais personalidades únicas.
Os transtornos de personalidade são uma série de distúrbios psiquiátricos que impedem um funcionamento normal e indivíduos o distinguem das normas e estruturas sociais. Os transtornos de personalidade afetam profundamente as vítimas dos aspectos afetivos, cognitivos e comportamentais de funcionamento e, portanto, os membros da família e amigos têm dificuldade de lidar com tal paciente.
Os transtornos de personalidade podem permanecer sob a capa de um longo tempo, até que a superfície através de determinadas circunstâncias. Comportamento especialistas não têm sido capazes de indicar as causas exatas para tais distúrbios Contudo, estudos mostram que a genética ou o ambiente pode ter um papel possível desenvolver transtornos de personalidade.
Os transtornos de personalidade cobrir tais transtornos, como transtorno de personalidade anti-social, transtorno de personalidade esquiva, transtorno de personalidade borderline, transtorno de personalidade paranóide, transtorno bipolar, transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, transtorno de personalidade histriônica, transtorno de personalidade esquizóide e transtorno de personalidade narcisista.
Transtorno de personalidade pode se manifestar durante a adolescência ou que não podem ser revelados até que o indivíduo atinge a idade adulta. O indivíduo pode de outra forma funcionar normalmente, dependendo da gravidade e duração da doença. Independentemente do tipo de transtorno de personalidade pode afetar a pessoa que o comportamento será perturbado finalmente afetando todo o funcionamento mais no longo prazo. Por exemplo, uma pessoa com transtorno de personalidade paranóide não será mais seguro e sentir desconfiança e dúvida em relação a qualquer pessoa inocente ou atividade acabou levando a graves problemas de comportamento que torna a pessoa ineficaz em seus relacionamentos.
Para o homem comum, pode não ser fácil identificar uma pessoa com transtorno de personalidade imediatamente. No entanto, torna-se obrigatório que esses pacientes devem ser identificadas para ajudá-los a começar o tratamento e também para garantir que outros não tem que sofrer. Normalmente parentes próximos, amigos, colegas e membros da família imediata, como cônjuge, filhos e pais sofrem mais ao lidar com um paciente de transtorno de personalidade.
Em palavras simples vítimas de transtornos de personalidade se comportar de maneiras que não são de outra forma esperados funcionando normalmente e seres humanos decentes. Seus comportamentos são irregulares, muitas vezes se tornando abusivo, manipulador, controlador e às vezes até mesmo sádico. Eles se comportam de maneiras mais egoístas e irresponsáveis que podem prejudicar os outros, mas isso não parece ser uma preocupação para eles. Eles podem não ser confiável e se comportam de formas imaturas como espalhar boatos e tentar espírito inferior queridos.
Eles podem sempre tentar buscar a atenção e criar as cenas desnecessárias perturbando os familys e harmonia communitys. Muitas vezes, esses pacientes ceder ao abuso de substâncias, abuso de drogas e promiscuidade. Eles podem sofrer de tendências suicidas e auto-estima muito baixa, juntamente com receios de insegurança e abandono.
Em vez de afastar tais indivíduos que sofrem de perturbações da personalidade é melhor para aprender a identificar o problema, de modo que eles podem ser dados ajuda e tratamento adequado. Para entender um ser humano com transtorno de personalidade significa entender e aceitar que ele ou ela tem um padrão muito diferente de pensar, sentir e pode ser até mesmo o sistema de valores é muito distante do que nós pensamos, sentimos ou esperar para ser.
Um humor pessoas podem ser imprevisíveis e comportamentos pode ser agressivo a ponto de prejudicar os outros ou a si mesmo. Por isso é muito necessário e importante que uma vez que tais distúrbios são identificados em qualquer indivíduo, ele deve ser encaminhado imediatamente para atendimento médico.
Membros nem a família nem amigos próximos podem abandonar uma pessoa que sofre de um distúrbio tão gritante. No entanto, eles podem aprender como lidar com os pacientes de maneira eficaz. Ser desdenhosos ou rejeitando-as não pode resolver o problema, mas só irá agravar ainda mais. Aceitar que existem pessoas difíceis e eles próprios também estão sofrendo nem menos.
Ser calmo e mostrando maturidade para eles são os mais sábios coisas para fazer. Esperando-los a compreender e se comportar com maturidade é algo que não deve ser esperado. Muitas vezes as pessoas mais próximas, como cônjuge e filhos sofrem mais quando se tornam psicologicamente danificada e também perder a sua auto-estima. Eles podem se machucar repetidamente, abusado e culpado por tudo o que pode tornar-se muito difícil de lidar. Portanto aceitação é a melhor maneira de lidar e ter certeza de que vale a pena próprio não ficar influenciada pelo comportamento dos pacientes é recomendado.
Lidar com pacientes com transtorno de personalidade não é de todo uma tarefa fácil e perda freqüente ou temperamento e frustrações pode acontecer com os familiares próximos. No entanto assertividade é a única coisa que pode proteger alguém que tem que repetidamente lidar com essas pessoas.
Lembre-se de negação levará a lugar nenhum para ser forte e aceitar a situação que pode ajudar você a decidir o que fazer e como fazer. Encontrar um terapeuta comportamental é a coisa mais óbvia a fazer. O paciente será, na maioria dos casos, não estão dispostos a ir como ele nunca vai aceitar que ele tem um problema. Assim, os membros da família devem primeiro consultar o terapeuta e aconselhamento sobre como convencer o paciente e iniciar seu tratamento.
Tratamento torna-se absolutamente necessário, pacientes com transtorno de personalidade não são apenas prejudicial para si, mas também para a sociedade. Por isso, é obrigatório que se vêm a saber sobre essas vítimas que não pertencem a nossa família ou amigos íntimos ainda temos de encaminhá-los para tratamento, informando suas famílias e conscientizá-los sobre a magnitude do problema.
Testes psicológicos, entrevistas e história do paciente ajuda a diagnosticar a presença de transtornos de personalidade. O tratamento é feito através de terapia, bem como medicação. Com distúrbios de personalidade eficazes de tratamento pode ser controlado, em grande medida e pode ajudar o indivíduo a funcionar normalmente nas suas actividades diárias.
Crédito da foto-medindia.net
http://centrodeartigos.com/revista-digital/artigo-2982.html
imagem:tocadacotia.com

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Transtorno Afetivo


MANIA – BIPOLAR

O que é?

O transtorno afetivo bipolar era denominado até bem pouco tempo de psicose maníaco-depressiva. Esse nome foi abandonado principalmente porque este transtorno não apresenta necessariamente sintomas psicóticos, na verdade, na maioria das vezes esses sintomas não aparecem. Os transtornos afetivos não estão com sua classificação terminada. Provavelmente nos próximos anos surgirão novos subtipos de transtornos afetivos, melhorando a precisão dos diagnósticos. Por enquanto basta-nos compreender o que vem a ser o transtorno bipolar. Com a mudança de nome esse transtorno deixou de ser considerado uma perturbação psicótica para ser considerado uma perturbação afetiva.
A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia. Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos. Uma pessoa que tenha uma fase depressiva, receba o diagnóstico de depressão e dez anos depois apresente um episódio maníaco tem na verdade o transtorno bipolar, mas até que a mania surgisse não era possível conhecer diagnóstico verdadeiro. O termo mania é popularmente entendido como tendência a fazer várias vezes a mesma coisa. Mania em psiquiatria significa um estado exaltado de humor que será descrito mais detalhadamente adiante.
A depressão do transtorno bipolar é igual a depressão recorrente que só se apresenta como depressão, mas uma pessoa deprimida do transtorno bipolar não recebe o mesmo tratamento do paciente bipolar.


Características

O início desse transtorno geralmente se dá em torno dos 20 a 30 anos de idade, mas pode começar mesmo após os 70 anos. O início pode ser tanto pela fase depressiva como pela fase maníaca, iniciando gradualmente ao longo de semanas, meses ou abruptamente em poucos dias, já com sintomas psicóticos o que muitas vezes confunde com síndromes psicóticas. Além dos quadros depressivos e maníacos, há também os quadros mistos (sintomas depressivos simultâneos aos maníacos) o que muitas vezes confunde os médicos retardando o diagnóstico da fase em atividade.

Tipos

Aceita-se a divisão do transtorno afetivo bipolar em dois tipos: o tipo I e o tipo II. O tipo I é a forma clássica em que o paciente apresenta os episódios de mania alternados com os depressivos. As fases maníacas não precisam necessariamente ser seguidas por fases depressivas, nem as depressivas por maníacas. Na prática observa-se muito mais uma tendência dos pacientes a fazerem várias crises de um tipo e poucas do outro, há pacientes bipolares que nunca fizeram fases depressivas e há deprimidos que só tiveram uma fase maníaca enquanto as depressivas foram numerosas. O tipo II caracteriza-se por não apresentar episódios de mania, mas de hipomania com depressão.
Outros tipos foram propostos por Akiskal, mas não ganharam ampla aceitação pela comunidade psiquiátrica. Akiskal enumerou seis tipos de distúrbios bipolares.

→Fase maníaca

Tipicamente leva uma a duas semanas para começar e quando não tratado pode durar meses. O estado de humor está elevado podendo isso significar uma alegria contagiante ou uma irritação agressiva. Junto a essa elevação encontram-se alguns outros sintomas como elevação da auto-estima, sentimentos de grandiosidade podendo chegar a manifestação delirante de grandeza considerando-se uma pessoa especial, dotada de poderes e capacidades únicas como telepáticas por exemplo. Aumento da atividade motora apresentando grande vigor físico e apesar disso com uma diminuição da necessidade de sono. O paciente apresenta uma forte pressão para falar ininterruptamente, as idéias correm rapidamente a ponto de não concluir o que começou e ficar sempre emendando uma idéia não concluída em outra sucessivamente: a isto denominamos fuga-de-idéias.. O paciente apresenta uma elevação da percepção de estímulos externos levando-o a distrair-se constantemente com pequenos ou insignificantes acontecimentos alheios à conversa em andamento. Aumento do interesse e da atividade sexual. Perda da consciência a respeito de sua própria condição patológica, tornando-se uma pessoa socialmente inconveniente ou insuportável. Envolvimento em atividades potencialmente perigosas sem manifestar preocupação com isso. Podem surgir sintomas psicóticos típicos da esquizofrenia o que não significa uma mudança de diagnóstico, mas mostra um quadro mais grave quando isso acontece.

→Fase depressiva

É de certa forma o oposto da fase maníaca, o humor está depressivo, a auto-estima em baixa com sentimentos de inferioridade, a capacidade física esta comprometida, pois a sensação de cansaço é constante. As idéias fluem com lentidão e dificuldade, a atenção é difícil de ser mantida e o interesse pelas coisas em geral é perdido bem como o prazer na realização daquilo que antes era agradável. Nessa fase o sono também está diminuído, mas ao contrário da fase maníaca, não é um sono que satisfaça ou descanse, uma vez que o paciente acorda indisposto. Quando não tratada a fase maníaca pode durar meses também.

Exemplo de como um paciente se sente:

…Ele se sente bem, realmente bem…, na verdade quase invencível. Ele se sente como não tendo limites para suas capacidades e energia. Poderia até passar dias sem dormir. Ele está cheio de idéias, planos, conquistas e se sentiria muito frustrado se a incapacidade dos outros não o deixasse ir além. Ele mal consegue acabar de expressar uma idéia e já está falando de outra numa lista interminável de novos assuntos. Em alguns momentos ele se aborrece para valer, não se intimida com qualquer forma de cerceamento ou ameaça, não reconhece qualquer forma de autoridade ou posição superior a sua. Com a mesma rapidez com que se zanga, esquece o ocorrido negativo como se nunca tivesse acontecido nada. As coisas que antes não o interessava mais lhe causam agora prazer; mesmo as pessoas com quem não tinha bom relacionamento são para ele amistosas e bondosas.

Sintomas (maníacos):

Sentimento de estar no topo do mundo com um alegria e bem estar inabaláveis, nem mesmo más notícias, tragédias ou acontecimentos horríveis diretamente ligados ao paciente podem abalar o estado de humor. Nessa fase o paciente literalmente ri da própria desgraça.
Sentimento de grandeza, o indivíduo imagina que é especial ou possui habilidades especiais, é capaz de considerar-se um escolhido por Deus, uma celebridade, um líder político. Inicialmente quando os sintomas ainda não se aprofundaram o paciente sente-se como se fosse ou pudesse ser uma grande personalidade; com o aprofundamento do quadro esta idéia torna-se uma convicção delirante.
Sente-se invencível, acham que nada poderá detê-las.
Hiperatividade, os pacientes nessa fase não conseguem ficar parados, sentados por mais do que alguns minutos ou relaxar.
O senso de perigo fica comprometido, e envolve-se em atividade que apresentam tanto risco para integridade física como patrimonial.
O comportamento sexual fica excessivamente desinibido e mesmo promíscuo tendo numerosos parceiros num curto espaço de tempo.
Os pensamentos correm de forma incontrolável para o próprio paciente, para quem olha de fora a grande confusão de idéias na verdade constitui-se na interrupção de temas antes de terem sido completados para iniciar outro que por sua vez também não é terminado e assim sucessivamente numa fuga de idéias.
A maneira de falar geralmente se dá em tom de voz elevado, cantar é um gesto frequente nesses pacientes.
A necessidade de sono nessa fase é menor, com poucas horas o paciente se restabelece e fica durante todo o dia e quase toda a noite em hiperatividade.
Mesmo estando alegre, explosões de raiva podem acontecer, geralmente provocadas por algum motivo externo, mas da mesma forma como aparece se desfaz.

A fase depressiva

Na fase depressiva ocorre o posto da fase maníaca, o paciente fica com sentimentos irrealistas de tristeza, desespero e auto-estima baixa. Não se interessa pelo que costumava gostar ou ter prazer, cansa-se à-toa, tem pouca energia para suas atividades habituais, também tem dificuldade para dormir, sente falta do sono e tende a permanecer na cama por várias horas. O começo do dia (a manhã) costuma ser a pior parte do dia para os deprimidos porque eles sabem que terão um longo dia pela frente. Apresenta dificuldade em concentra-se no que faz e os pensamentos ficam inibidos, lentificados, faltam idéias ou demoram a ser compreendidas e assimiladas. Da mesma forma a memória também fica prejudicada. Os pensamentos costumam ser negativos, sempre em torno de morte ou doença. O apetite fica inibido e pode ter perda significativa de peso.

Generalidades

Entre uma fase e outra a pessoa pode ser normal, tendo uma vida como outra pessoa qualquer; outras pessoas podem apresentar leves sintomas entre as fases, não alcançando uma recuperação plena. Há também os pacientes, uma minoria, que não se recuperam, tornando-se incapazes de levar uma vida normal e independente.
A denominação Transtorno Afetivo Bipolar é adequada? Até certo ponto sim, mas o nome supõe que os pacientes tenham duas fases, mas nem sempre isso é observado. Há pacientes que só apresentam fases de mania, de exaltação do humor, e mesmo assim são diagnosticados como bipolares. O termo mania popularmente falando não se aplica a esse transtorno. Mania tecnicamente falando em psiquiatria significa apenas exaltação do humor, estado patológico de alegria e exaltação injustificada.
O transtorno de personalidade, especialmente o borderline pode em alguns momentos se confundir com o transtorno afetivo bipolar. Essa diferenciação é essencial porque a conduta com esses transtornos é bastante diferente.

Qual a causa da doença?

A causa propriamente dita é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitem seu surgimento como parentes que apresentem esse problema, traumas, incidentes ou acontecimentos fortes como mudanças, troca de emprego, fim de casamento, morte de pessoa querida.
Em aproximadamente 80 a 90% dos casos os pacientes apresentam algum parente na família com transtorno bipolar.

Como se trata?

O lítio é a medicação de primeira escolha, mas não é necessariamente a melhor para todos os casos. Frequentemente é necessário acrescentar os anticonvulsivantes como o tegretol, o trileptal, o depakene, o depakote, o topamax.
Nas fases mais intensas de mania pode se usar de forma temporária os antipsicóticos. Quando há sintomas psicóticos é quase obrigatório o uso de antipsicóticos. Nas depressões resistentes pode-se usar com muita cautela antidepressivos. Há pesquisadores que condenam o uso de antidepressivo para qualquer circunstância nos pacientes bipolares em fase depressiva, por causa do risco da chamada “virada maníaca”, que consiste na passagem da depressão diretamente para a exaltação num curto espaço de tempo.
O tratamento com lítio ou algum anticonvulsivante deve ser definitivo, ou seja, está recomendado o uso permanente dessas medicações mesmo quando o paciente está completamente saudável, mesmo depois de anos sem ter problemas. Esta indicação se baseia no fato de que tanto o lítio como os anticonvulsivantes podem prevenir uma fase maníaca poupando assim o paciente de maiores problemas. Infelizmente o uso contínuo não garante ao paciente que ele não terá recaídas, apenas diminui as chances disso acontecer.
Pacientes hipertensos sem boa resposta ao tratamento de primeira linha podem ainda contar com o verapamil, uma medicação muito usada na cardiologia para controle da hipertensão arterial que apresenta efeito anti-maníaco. A grande desvantagem do verapamil é ser incompatível com o uso simultâneo do lítio, além da hipotensão que induz nos pacientes normotensos.

Fonte: http://www.psicosite.com.br/
          http://fastlove.wordpress.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Sentirmo-nos bem com a idade que temos – A percepção subjectiva do envelhecimento e o sentimento de satisfação

São poucas as coisas que escapam às garras vorazes da moda e dos seus rituais. Se um especialista em marketing quisesse lançar a moda “ser idoso é bom” deparar-se-ia com inúmeras dificuldades. Não é fácil construir uma moda, quando o envelhecimento tem um potencial de atracção tão pouco visível e a moda, como todos os fenómenos que vivem de um glamur ao primeiro relance, precisa de um primeiro impacto favorável, senão mesmo cativante. Está na moda ser-se jovem, ter-se um corpo fantástico, ser-se um profissional brilhante e, nos últimos tempos, ter-se filhos.
Não devemos estar com rodeios. Ser forçado ao envelhecimento é ser-se encurralado num beco sem saída, do qual não se pode fugir sem um exercício intenso e profundo de criatividade. Apregoar a beleza do envelhecimento, é, num certo sentido, tapar o sol com a peneira. É possível que especialistas em Marketing possam, não sem esforço, como dizia anteriormente, lançar a moda “ser idoso é bom”, mas a experiência subjectiva de um tempo que se escoa, de uma vida que já foi em parte vivida e que não pode ser re-vivida é penosa e exige um esforço enorme por parte do psiquismo para que se alcance um qualquer ajuste. Lentamente, o trabalho da psicologia do desenvolvimento tem vindo a recolher os seus frutos e é, hoje, já possível, descortinar uma linha ou até mesmo uma corrente que remando contra a maré, mostra que o envelhecimento é uma fase da vida como qualquer outra, nem pior, nem melhor, apenas diferente. Contudo, contrariamente à adolescência ou até mesmo à idade média, a idade avançada traz consigo um pessimismo difícil de contrariar porque coloca na linha da frente a relação do sujeito com a angustia de morte. As questões relativas à angustia de morte estão presentes em todos nós, desde sempre, mas a proximidade probabilistica da morte real, coloca o sexagenário e o septuagenário no centro de um furacão onde voam os mais intensos receios de auto destruição e destruição do outro. Querer lidar com a idade avançada sem lidar com a expectativa de morte, nas suas mais variadas formas é, na nossa opinião, estar na posição do gato escondido com o rabo de fora. Estamos habituados, num certo sentido, a conviver com a imagem adocicada das avózinhas profundamente altruístas e hiper-disponiveis para os netos e com a ideia estereotipada do ancião sábio que partilha com os mais novos os vastos e profundos conhecimentos sobre a vida; mas a realidade mostra-nos que são poucas as pessoas que conseguem alcançar essa docilidade e disponibilidade. A maior parte das pessoas envelhece com uma dose elevada de amargura e, mesmo quando a conseguem negar ou disfarçar, ela mostra a cara numa comunicação queixumenta, hipocondríaca e manipuladora.
Evitar a amargura, a zanga e o ressentimento na idade avançada implica a existência de uma capacidade de estar em contacto consigo próprio muito desenvolvida e uma elaboração bem conseguida das mais aterrorizantes angustias, assim como a manutenção da eficácia dessa mesma capacidade de elaboração e matabolização das emoções. Esta tarefa é tão difícil que alguns autores defendem inclusivamente que perante as dificuldades emocionais colocadas pelo envelhecimento, a mente menos bem preparada, pode sucumbir sobre a forma demencial. Diz a autora (GoldFarb): “O fracasso do processo de elaboração da finitude, o desinvestimento dos vínculos, e a fragilidade ante as vicissitudes do processo de envelhecimento, podem provocar estados depressivos , dos quais é possivel de fugir por meio de um esquecimento radical e violento, ou seja, pelo processo demencial” Não partilhamos, pelo menos de imediato, de uma posição tão radical, mas não temos a menor dúvida de que ser capaz de lidar com a expectativa da morte é a alavanca de arquimedes, para o sentimento subjectivo de satisfação com a idade que se tem.
Sentir-se bem com a idade que se tem é uma tarefa simultaneamente atemporal e muito bem circunscrita no tempo. Atemporal porque é fundamental em qualquer fase da vida e bem circunscrita no tempo porque é determinante a relação da pessoa com esse momento particular e especifico que vive. A noção e a consciência da finitude desorganiza uma serie de construções que a pessoa foi fazendo ao longo da idade média, construções essas que assentavam muitas vezes na ideia inconsciente de imortalidade. Confrontado com o aumento progressivo das suas dificuldades e empurrado contra as malhas estreitas da finitude, o sexagenário e o septuagenário, olha para o mundo e para si próprio com apreensão e por vezes desespero. Sair deste buraco estreito torna-se mais fácil quando existem pontos de apoio e rampas de lançamento. O apoio psicológico especializado, a par do apoio social e familiar são as estruturas que, se devidamente disponibilizas, funcionam como eixos de agregação de um self fragilizado e em esforço.
Sentir-se bem com a idade que se tem é essencial para um envelhecer saudável. Quando a pessoa atingiu uma idade avançada e sempre arrastou consigo um mal-estar relativo à vivência subjectiva da sua idade - quando era criança não gostava ou não sabia ser criança, quando era adolescente não gostava de o ser e ansiava ser novamente criança ou rapidamente adulto, quando adulto queria regressar à infância ou à liberdade fantasiada da adolescência – há um agravamento muito substancial desse mal-estar. Ser-se capaz de conviver bem com a idade que se tem é uma tarefa que se inicia na mais tenra infância, mas que ganha contornos particularmente importantes quando se chega a idades avançadas. Viver-se bem quando se toma consciência aguda da finitude e da degradação progressiva do corpo é muito difícil; as reacções mais habituais são: a dependência, o desespero ou a negação. Mas o caminho do desespero e da negação é o caminho de muitos problemas e complicações e o caminho da dependência leva a uma quase morte antecipada. Como envelhecer sem desesperar, sem negar as nossas limitações e dificuldades e simultaneamente sem nos tornarmos excessivamente dependentes? Ao longo desta apresentação iremos tentar expor uma resposta possível para esta pergunta. Não é a única resposta possível, é apenas uma e serve para pensarmos um caminho e não para definirmos um caminho.
Consideramos, seguindo a linha de pensamento psicanalitica iniciada por Wilfred Bion que o sujeito humano durante toda a sua vida é permanentemente colocado perante a decisão primordial de tolerar ou evitar a dor psíquica. Esta decisão pode ter repercussões complicadas ao nível do desenvolvimento e correcto funcionamento do aparelho para pensar pensamentos. De acordo com o autor anteriormente referido, quando a pessoa não é capaz de tolerar a frustração o tempo suficiente para entrar em contacto com o não-objecto vê-se perante a contingência de evacuar, via identificação projectiva, a emoção não tolerada. Esta evacuação precipitada é sentida como prazer uma vez que livra a mente do contacto com a emoção dificilmente suportada ou seja a frustração. Apesar do alivio imediato que proporciona a evacuação da emoção penosa não resolve o problema do contacto com a frustração a não ser no seu nível mais imediato, porque não se organiza nenhum tipo de alteração, nem interna, nem externa, que permita modificar as causas que estão subjacentes ao fenómeno que gera essa mesma frustração. Pelo contrario, ser-se capaz de tolerar a frustração um tempo mínimo, empurra a mente no sentido da procura de uma solução eficaz para lidar com aquela emoção ou problema. Bion considera que é sobre a pressão dos pensamentos que preexistem e do contacto com a frustração que se origina o aparelho para pensar os pensamentos e que a existência deste aparelho faz com que a pessoa tenha à sua disposição uma ferramenta incrivelmente útil para elaborar as emoções e dessa forma aprender com a experiência. De acordo com os princípios propostos por esta teoria do funcionamento da mente, torna-se claro, que o aprender com a experiência é a “grande vitória” do homem sobre a vida. Quero com isto dizer que em qualquer fase da vida, aquilo que é primordial é a capacidade que o sujeito tem para aprender com e na experiência. Não se trata, como noutras correntes, em destacar a satisfação ou a frustração nesta ou naquela área da vida como o grande indicador da qualidade de vida, mas em pensar-se a mente humana como tendo uma estrutura profundamente dinâmica cuja a matriz de base está permanentemente em alteração, mas que mesmo assim mantém a sua competência enquanto instrumento que viabiliza a aprendizagem com a experiência. Se nos centrarmos nesta linha de pensamento conseguimos olhar para as questões relacionadas com o envelhecimento e pensá-las de acordo com toda a sua especificidade e simultaneamente retirá-las de um campo marginal. Queremos com isto dizer, que pensar as questões do envelhecimento é situá-las num eixo temporal e simultaneamente assumi-las como intemporais. O cruzamento destes dois eixos pode parecer numa primeira leitura impossível e assentar num julgamento paradoxal e por isso irracional, mas uma análise mais atenta e cuidada permite-nos perceber que é precisamente no ponto em que se cruzam estes dois eixos que o envelhecimento consegue ser apreendido com um maior grau de profundidade e realidade.
Aprender com a experiência é uma actividade profundamente dinâmica e criativa tão importante para o bebé recém-nascido como para a pessoa de idade avançada. Deixar de se abrir à experiência e tornar-se emocionalmente indiferente e insensível à experiência interna e externa é abrir a porta para o abismo escuro da alienação. Pensamos que o psiquismo não avança nem se modifica por saltos abruptos, mas sim, de forma progressiva e contínua, neste sentido, pensamos que a capacidade para aprender com a experiência que uma pessoa de idade avançada apresenta num dado momento está intimamente correlacionada com a utilização que fez dessa mesma capacidade ao longo de toda a sua vida. Uma pessoa que tenha, ao longo da sua vida, aprendido a desenvolver esta capacidade e a tenha utilizado de forma ágil e permanente estará em melhores condições para o continuar a fazer numa idade mais avançada. Contudo, se durante a sua vida foi revelando dificuldades em desenvolver a capacidade para aprender com a experiência, quando é confrontado com as exigências inerentes ao envelhecimento, as dificuldades podem tornar-se ainda mais agudas e quase intransponíveis. Uma das imposições do envelhecimento é uma redução mais ao menos acentuada da intensidade das percepções, há uma diminuição da acuidade visual e auditiva, um aumento do limiar de tolerância à dor, uma perda de sensibilidade táctil e um aumento das dificuldades de locomoção. Este conjunto de perdas origina uma redução, que em certas situações pode ser muito significativa, de inputs sensoriais externos. Os inputs sensoriais externos são a nossa fonte primária de estimulação e dependemos dela em grande parte para alimentar a nossa mente, a nossa vida interior. Quando se dá uma redução da intensidade, frequência ou variedade destes inputs, a pessoa fica numa situação particularmente delicada, na medida em que fica mais sujeita, por um lado, a “desligar-se” do meio-externo que deixa de lhe parecer tão interessante e estimulante e, de outro lado, fica particularmente sujeita à estimulação interna, seja ela sob a forma de percepções do interior do seu corpo, seja sobre a forma de pensamentos, memórias e emoções.
Neste contexto é evidente que a existência de uma vida interior rica, cheia de memórias, fantasias, curiosidades e interesses, irá alimentar a mente e a redução dos inputs sensoriais não será vivido como uma verdadeira perca, mas como a possibilidade de se recolher mais sobre si próprio e contemplar a sua vida, é uma altura em que o desejo de escrever as suas memórias poderá ser mais intenso, ou poderá dedicar-se a tarefas mais solitárias, igualmente gratificantes, como seja, ler, ouvir musica, ir a espectáculos, passear, etc. Dado que são actividades que poderá realizar ao seu próprio ritmo. Mas pelo contrário, se a vida interior for pobre ou cheia de conflitos e angustias, essa será uma altura em que a redução dos inputs sensoriais será vivido como uma perda irreparável e a pessoa tenderá a aferroar às impressões sensoriais que ainda continuam fortes e que ganharam um interesse acrescido porque banhadas pela angústia depressiva ou até de eventualmente de morte. Nestas situações vemos desenvolverem-se os quadros “hipocondríacos” em que o interior do corpo e as suas alterações são vividas com aflição, na expectativa, aterrorizante e quase desejante, de que algo de trágico poderá surgir e arrastá-los para a morte certa. Ou observamos o agravamento dos quadros obsessivo-compulsivos que compelem a pessoa a retrair-se cada vez mais, em movimentos circulares e redundantes, com preocupações excessivas com a limpeza ou o seu oposto, desinteresse constrangedor pelo acumulo de lixo, ou ainda, preocupações alimentares e ruminações intelectuais sobre as grandes questões do universo. A luta contra a solidão é em primeiro lugar uma luta interna, entre o desejo de estar acompanhado e o sentimento de insatisfação quando acompanhado. O afecto depressivo faz com que a pessoa se desinteresse ainda mais dos outros, a não ser, que entre ela e o outro se dê uma empatia extrema. Empatia essa que, na maioria dos casos, é a afirmação de um solipsismo e a necessidade de ter um ouvinte ou uma plateia que possam conter e elaborar a torrente de emoções e convicções que lhe fazem companhia nas “intermináveis” horas em que fica acordado.
Pensamos que uma grande parte destas situações clinicamente identificáveis poderão ser amenizadas através de um trabalho psicoterapeutico adequado conjuntamente com intensa estimulação social e suporte familiar de qualidade. Consideramos que o desenvolvimento da Psicogerontologia Clinica numa vertente psicodinâmica é indispensável como forma complementar ao extraordinário trabalho desenvolvido pela Psicogerontologia Desenvolvimental. A Psicogerontologia na perspectiva da Psicologia do Desenvolvimento tem trilhado um caminho muito importante nas áreas em que a saúde mental prevalece e fundamentalmente ao nível da prevenção e sustentação de um envelhecimento com qualidade. Pensamos que o estudo da Psicopatologia na idade avançada está ainda no seu inicio, tendo havido um interesse particular pela Depressão e pelas patologias cerebrais, nomeadamente deficits de memória, Alzeimer e outras perturbações demenciais. Contudo, consideramos que ainda está por fazer um profundo trabalho de investigação. Esperamos que este nosso texto seja um contribuição, mesmo que muito pequena, para o aprofundar do pensamento daquilo a chamámos a Psicogerontologia Clinica.




Bibliografia
  • Barros de Oliveira, José H. Psicologia do Envelhecimento e do Idoso. Livpsi
  • Bion, Wilfred R. (1967) Second Thoughts. Heinemann
  • Bion, Wilfred R. Attention and Interpretation. Tavistock
  • Bion, Wilfred R. Elements of Psycho-Analysis. Heinemann
  • Bion, Wilfred R. Learnig from Experience. Heinemann
  • Bion, Wilfred R. Transformation. Heinemann
  • Charazac, Pierre. Introdução aos Cuidados Gerontopsiquiátricos. Climepsi
  • Fernandes, Purificação. A Depressão no Idoso. Quarteto
  • Fonseca, António Manuel. Desenvolvimento Humano e Envelhecimento. Climepsi
  • Fontaine, Roger. Psicologia do Envelhecimento. Climepsi
  • Goldfarb, Delia. (2004) Do tempo da Memória ao Esquecimento da História: Um estudo Psicanalitico das Demências. Tese de Doutoramento. São Paulo
  • Messina, Monica. Dimensões do envelhecer na contemporaidade. Trabalho apresentado no 2º encontro temático em Gerontologia em Agosto de 2002. Rio de Janeiro
  • Ortiz, Luis Agüera; Carrasco, Manuel Martín; Ballesteros, Jorge Cervilla. (Org) (2002) Psiquiatría Geriátrica. Barcelona: Masson
  • Spar, James E., La Rue, Asenath. Guia de Psiquiatria Geriátrica. Climepsi
Texto de Ana Almeida
             
Psicóloga Clinica
              Psicoterapeuta (Psicoterapia Psicanalítica)
              Mestre em Psicologia Clinica e Psicopatologia
              Membro da SPP e da APP
              Directora Clínica da PsiCronos

Estilo

Patchwork

Decora

Crochet